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sexta-feira, 10 de abril de 2015

É possível estabelecer uma conexão entre HIV/Aids e Violência de Gênero em Viamão?


Telia Negrão organizando a Rede. É só conectar!
A desigualdade de gênero é um dado histórico da sociedade patriarcal caracterizada pela hierarquização das relações sociais. Essas desigualdades sociais, políticas e econômicas promovem a maior vulnerabilidade das mulheres ao HIV e à violência. Elas impactam na saúde, na segurança dessas mulheres e também das meninas pela sua magnitude. Tanto a violência de gênero quanto a infecção pelo HIV/Aids são consideradas epidemias pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas afinal, é possível conectar as duas epidemias que afetam de forma particular a população feminina, em especial no Rio Grande do Sul?

Para a cientista política e jornalista Telia Negrão tanto é possível, como se pode atestar a partir da experiência vivida por mulheres que passaram por situações de violências, viveram relações desiguais, como por aquelas que se tornaram positivas para o HIV. Dificuldades na negociação do preservativo, uso de drogas, confiança no companheiro, baixa auto estima, sexo desprotegido fazem crescer a epidemia entre mulheres jovens. A vivência com a Aids é marcada pelos preconceitos e estigmas, classificados como violência pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelos inúmeros estudos e denúncias do Movimento de Mulheres. Em razão dessa combinação de fatores, há necessidade de compor uma Rede articulada de ações, que de um lado deve abordar o enfrentamento às violências de gênero e de outro, de atenção à saúde com a perspectiva da integralidade.

Durante os dois dias de intenso trabalho no curso de capacitação intitulado “Desvendando conexões entre o HIV/Aids e a Violência de Gênero” - promovido pela Ong Coletivo Feminino Plural, no contexto do Projeto Conexões, percebeu-se que o maior desafio é fazer com que essas duas áreas dialoguem, pois isso implica, além de quebrar a fragmentação das ações, a adoção do enfoque de relações de gênero nas políticas públicas. O projeto se propôs a sensibilizar quem está com a “mão na massa”, ou seja, profissionais da saúde, dos serviços de atenção à violência, da segurança pública e a sociedade civil, conselheiras de saúde e da mulher e chamar gestoras e gestores  para a construção de novas estratégias e práticas.